O mercado financeiro está em constante evolução e sofreu várias alterações nas últimas décadas. Empresas precisam procurar a maximização do retorno de acordo com seus objetivos, sem contar que é necessário ter uma profissionalização maior dos agentes econômicos. É nesse cenário que surge a chamada gestão de ativos e passivos.

Essa prática é executada pela Asset Liability Management (ALM), técnica que realiza o gerenciamento de riscos para evitar o descasamento entre ativos e passivos. O objetivo é obter a máxima rentabilidade considerando diferentes hipóteses e objetivos.


Neste post vamos entender melhor como a ALM pode ajudar a tomar decisões estratégicas. Para isso, vamos explicar seu conceito e como realizar a integração entre ativos e passivos.


O que é a ALM?

A administração de ativos e passivos prevê o uso de instrumentos financeiros para otimizar o seu portfólio de investimentos. Sua utilidade principal é capacitar o investidor para tomar ações a partir do comportamento dos passivos e pela gestão dos riscos. Assim, obtém-se uma maior probabilidade de sucesso.

Nesse momento é preciso compreender o que são ativos e passivos:

• Os ativos são bens e direitos que a organização possui em determinado momento, como caixa, estoques e duplicatas a receber. Nesse contexto, são os investimentos que você fará para gerar um fluxo de caixa futuro.
• Os passivos são as dívidas que a empresa possui em determinado momento, como duplicatas e contas a pagar, e empréstimos. Em resumo, é o que a empresa precisa pagar ao longo do tempo.


Onde usar a ALM?

 

Existem 2 situações principais onde essa técnica pode ser empregada: os fundos de pensão e instituições financeiras.


Fundos de pensão

Fundo de pensão é o nome informal das entidades criadas por empresas públicas e privadas para administrar os recursos das aposentadorias dos funcionários dessas empresas, denominadas Patrocinadoras.

Os fundos de pensão (como Previ e Funcef) possuem como passivos as próprias aposentadorias que deverão ser pagas no futuro. 

Para que os passivos possam ser pagos, é preciso trabalhar com os ativos. Isso significa que as contribuições feitas por funcionários e empresa devem ser aplicadas em devem ser aplicadas em diversas classes de ativos financeiros, sempre respeitando a política de investimento do fundo e as restrições regulatórias.

Por meio da ALM, o gestor define a diversificação da carteira de investimentos a fim de obter um portfólio ótimo, ou seja, aquele que maximiza o patrimônio do fundo em qualquer instante do tempo,  considerando, as hipóteses consideradas.

Com esse exercício de otimização, o gestor do fundo assegura um fluxo de caixa futuro para pagar as aposentadorias dos colaboradores que se aposentam.

 

Instituições financeiras

Pode-se realizar a ALM também em instituições financeiras. Aqui, o objetivo é o lucro. O banco tem como passivo um funding - algum recurso que tenha captado ou que seja próprio - e investe em algum alguns instrumentos financeiros para assegurar uma maior rentabilidade.
É uma abordagem diferente dos fundos de pensão, porém, a técnica é similar. Isso porque a ideia é observar os recursos de forma conjunta para determinar ativos e passivos e conseguir gerenciá-los da melhor forma possível.
Novamente, os indexadores têm um papel relevante e podem ser melhor calculados a partir de modelos matemáticos, que vão simular o comportamento das variáveis ao longo do tempo, de acordo com hipóteses sobre o retorno esperado e a volatilidade de cada um deles. O resultado é uma medida estatítistica do retorno esperado do portfólio e o risco que a instituição está correndo em carrega-lo ao longo do tempo.

A partir dessa medida, a instituição pode entender que o melhor a fazer é diminuir a exposição em algum indexador, através de técnicas de hedge e imunização de carteira, de sorte a diminuir o risco desse portfólio no futuro.
É importante mencionar que a ALM pode ser utilizada em outras situações, mas os fundos de pensão e as instituições financeiras são os 2 maiores exemplos.

 

Como realizar a integração da gestão de ativos e passivos?

Há 2 questões principais nesse momento: objetivo e hipóteses. Vamos entender melhor:


Objetivos

São aquilo que você deseja conquistar com a ALM. Em outras palavras: a finalidade para a qual fará os investimentos. Considerando os 2 exemplos apresentados, fica evidente que o objetivo de cada um deles é diferente.
No caso do fundo de pensão, o intuito é pagar a aposentadoria dos colaboradores. Essa é a finalidade principal. Já para as instituições financeiras, que são os livros comerciais ou livros de empréstimos, o que se deseja é o lucro.


Hipóteses

As hipóteses servem justamente para tentar prever o que acontecerá na tentativa de reduzir as incertezas. São variáveis financeiras e econômicas, por exemplo, o valor das ações, do índice da bolsa de valores (Ibovespa) ou dos juros ao longo do tempo etc. Além disso, consideram-se os indexadores de cada investimento realizado ou que se pretende apostar.

 

Em resumo, a ALM é uma técnica que permite ao gestor variar simular seu portfólio de aplicações ativos e passivos, ao longo do tempo, através da utilização de modelos matemáticos sofisticados que utilizam premissas sobre o retorno esperado e o padrão de oscilação das diversas classes de ativos.
Os sub-produtos dessa simulação são o retorno esperado do portfólio ao longo do tempo, o risco do portfólio e a carteira ótima.

Essa carteira ótima varia de acordo com o tipo de negócio que está sendo simulado. 
Se o resultado da simulação apresentar um risco excessivo, técnicas de imunização de carteira e hedge podem ser utilizadas para baixar o risco, não necessariamente diminuindo o resultado esperado.


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José Monteiro Varanda
Professor Acadêmico da Saint Paul Escola de Negócios

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