Nos noticiários, o risco-país é uma notícia frequente. Quanto mais alto, pior para o Brasil. No entanto, o índice isolado nem sempre traz as devidas reflexões sobre o mercado financeiro. É preciso pensar que ele está diretamente relacionado às decisões de investimento e financiamento nacional.

De acordo com uma matéria da Folha de S. Paulo de agosto de 2017, o Brasil apresentou um recuo no risco país de 2,29%, atingindo 194,8 pontos. Esse é o menor resultado desde o final de dezembro de 2014.

Mas o que isso significa na prática?


Aqui, você entenderá melhor qual é o conceito desse nível de risco e como esse indicador influencia as decisões de financiamento e investimento.

O risco-país

Esse indicador mede o grau de confiança e desconfiança dos investidores em relação à economia de um país, no nosso caso, o Brasil. O risco mensurado é relativo aos títulos públicos de curto, médio e longo prazos emitidos pelo governo federal. Por isso, esse indicador está relacionado ao nível de inadimplência do governo.

Para chegar a esse resultado as agências de rating consideram diferentes fatores, como:

  • índices econômicos e financeiros
  • Produto Interno Bruto (PIB)
  • ambiente político
  • déficit fiscal
  • sistema financeiro
  • aprovações realizadas pelo Congresso

De modo mais prático, o risco de um país serve para que o investidor analise onde é melhor colocar seu dinheiro. Por exemplo: Entre Estados Unidos e Brasil, os EUA tem o menor nível deste indicador, sendo mais “seguro” investir lá.

Assim, a ideia desse índice é precificar as economias que não são consideradas as maiores, ou seja, que não fazem parte do G7. O objetivo é entender o que ocorre com aquele país, por que ele possui determinada atratividade de investimentos no mercado internacional e qual a possibilidade de ele ficar inadimplente na data de vencimento do título.

É importante mencionar que, tecnicamente, esse indicador se constitui na sobretaxa paga em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do Tesouro dos Estados Unidos. Esse país é usado como referência porque tem o menor risco.

A influência do risco-país nas decisões de financiamento e investimento

Essa relação é bastante simples e pode ser resumida da seguinte forma: quanto maior for o risco de um país, maior é a sobretaxa paga para o Tesouro norte-americano. Isso significa que o resultado elevado desse índice implica uma alta taxa de juros do título público.

A consequência da elevação do indicador é a menor atração de investimentos estrangeiros para o mercado financeiro nacional, o que propicia um menor crescimento econômico. Isso ainda pode levar ao aumento do desemprego e à diminuição dos salários da população, o que exige que o governo emita mais títulos públicos e se endivide.

Isso acontece porque fica mais difícil para as empresas brasileiras buscarem financiamentos em outros países. Ao mesmo tempo, há uma elevação da taxa básica de juros da economia e da Taxa Mínima de Atratividade (TMA), o que ocasiona um impacto de custeio mais significativo.

Desse modo, o risco de um país é o principal balizador das tomadas de decisão dos investidores, que podem emprestar – ou não – dinheiro para o mercado financeiro e para as instituições que estão nele.

A alta do risco ainda eleva as taxas de juros dos financiamentos, sejam das instituições públicas, sejam das privadas.

O cenário positivo

A diminuição do risco Brasil vem sendo percebida há alguns anos. Isso faz com que os investidores sejam atraídos, o que aumenta a quantidade de dólares no mercado e tem-se um efeito imediato na taxa de câmbio, bem como na bolsa de valores, que passa a ter mais negociações.

É importante mencionar que o risco deve permanecer baixo se o país contar com um bom ambiente político, que permita a aprovação das reformas fiscais e ocasione a equalização dessa política.

Vale a pena destacar que a política macroeconômica atual é baseada em 4 vieses:

  • regime de câmbio flutuante
  • política de austeridade fiscal (superávit primário)
  • política monetária de metas de inflação
  • desafios para o futuro


Assim, mesmo que haja elementos que podem comprometer a competitividade sistêmica do país no contexto internacional (como é o caso dos baixos níveis de escolaridade e qualificação de mão de obra), é importante destacar que o desempenho econômico vem apresentando melhoras.

Com a melhoria desse quesito, há mais pessoas acreditando no desempenho da economia, as empresas passam a ter mais rentabilidade, os investidores adquirem mais na bolsa de valores, que tende a subir e os resultados se tornam positivos.

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Mauricio Godoi

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